
Apesar da segunda vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro, o Flamengo apresentou, mais uma vez, um futebol claudicante e sem inspiração no magro triunfo por 1 a 0 sobre o time reserva do Santos, neste domingo. Ainda que tenha ficado satisfeito com o espírito de luta e a entrega demonstrada, o técnico Joel Santana reconheceu que a equipe ainda precisa melhorar e não está acertada para a disputa do campeonato.
"O time ainda não está encaixado. Jogamos bem no primeiro tempo, e pioramos um pouco no segundo. Mas sabíamos que era um jogo de paciência, teríamos um adversário fechado. Só quem joga futebol sabe como é difícil pegar uma equipe assim", afirmou, destacando que a proposta do Santos em jogar recuado não o surpreendeu.
"Essa era a proposta deles. Congestionam atrás da linha da bola. Aí, tem que ter passe muito bom, drible, pegar um rebote e aproveitar a chance. O gol estava quente para sair, pelo volume que tivemos de jogo. Seria ruim, uma perda irreparável se não fizéssemos o gol", acrescentou.
Mesmo reconhecendo que o Flamengo tinha um favoritismo natural por desafiar a equipe reserva do Santos, Joel disse que não esperava jogo fácil por não ter que enfrentar Neymar, Ganso e Elano. O treinador lembrou da partida contra o Inter, no Engenhão, na qual a equipe gaúcha entrou em campo bastante desfalcada e arrancou um empate no Rio.
"Isso não quer dizer muita coisa. Ontem, vi o time titular do Inter perder em casa. Aqui, com muitos reservas, deram bastante trabalho para a gente", opinou.
Joel exaltou o fato de a equipe estar começando a reverter uma lógica que já incomodava: a de o Flamengo sempre levar gols no final do jogo e deixar a vitória escapar. O treinador lembrou que o time vinha diminuindo o ritmo após os 35min da etapa final, e estava cedendo o resultado na parte final dos jogos.
"Os jogadores lutaram e batalharam até o fim. Isso é o Flamengo. Antes, apertava e a gente cedia. Agora mudou. É assim que a gente quer a equipe", observou.
Contestado pela torcida e por parte da diretoria, Joel mostrou-se aliviado após mais uma vitória apertada. Em um breve desabafo, lembrou da acidentada trajetória na quinta passagem pela Gávea, no qual enfrentou eliminações precoces na Libertadores e Estadual e a abrupta saída de Ronaldinho. Em tom de brincadeira, até mesmo pediu aos jornalistas que evitassem perguntas mais polêmicas.
"Poxa, gente, nós vencemos, vamos comemorar. Estava sofrendo até semana passada para conseguir vitória, colocava vantagem, e não acontecia. Tudo o que podia acontecer a um treinador em quatro meses aconteceu comigo. Acho que estou pagando por alguma coisa que fiz", concluiu.
Joel pediu um pouco de paciência ao torcedor, que chegou a vaiar Renato Abreu e Bottinelli durante o jogo. Calejado em termos de Flamengo, admitiu que, para o clube, o lema "vencer, vencer, vencer" é levado ao pé da letra, mas projetou "topadas" no percurso, e mais vitórias apertadas. Recorreu às disputas que estão sendo travadas na Eurocopa para justificar o pensamento.
"A equipe está mais segura, sabe o que quer, está disputando as jogadas com saúde. No futebol, é preciso de vigor. Veja a Eurocopa, a Rússia era destaque, super elogiada, tomou um sapeca e saiu fora. Está tudo apertado, diferenças pequenas. No Brasileiro, também vai ser assim", ressaltou.
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